“Já morreram nove mulheres vítimas de violência doméstica em 2019… Em 2018, o número de vítimas ultrapassou as 20 de 2017. Em novembro, já tinham morrido 24. O ano de 2019 arranca com números preocupantes.” – foi o cabeçalho de um jornal com que eu e milhares de portugueses acordaram num dia como qualquer outro. Podia ser um número baixo, se não estivéssemos apenas no inicio de Fevereiro. Ou seja, em um mês morreram nove mulheres! Nove pessoas! Algumas mães, filhas, … E que falar das outras centenas, milhares de vítimas desta violência?! Uma violência que não tem género, não tem cor! 

Segundo Marchiori et al., n.d., a violência começou a ser encarada como um grave problema social à um século atrás, passando assim a conceção criminológica e vitimológica dos comportamentos violentos e abusivos. O termo violência pode ser utilizado para referir a violência intencional: violência interpessoal, homicídios, maus tratos, violência domestica, violência sexual, violência autoinfligida, violência coletiva etc. Enquanto o termo de violência não intencional: usado para distinguir os acidentes (acidentes de aviação, de trabalho, industriais, domésticos ou do desporto etc).

O fenómeno sócio-criminológico da Violência Doméstica (de domus, que significa casa) é muitas vezes usado relativamente à violência perpetrada pelo cônjuge/companheiro contra a mulher/homem. Já os “maus-tratos” trata de uma expressão empregue no âmbito da violência contra as crianças ou idosos (Magalhães, 2010:22). 

A violência também pode ocorrer em locais públicos: na rua, no trabalho, em áreas de lazer, numa festa, entre outros locais, não se limitando apenas à habitação comum (Blay, 2008; Nações Unidas, 2003). 

O ataque à integridade e ao sentimento de segurança física da pessoa (mulher, homem e da criança), por meios físicos é de gravidade variável, podendo ir desde um abanão/estalo até ao homicídio (Bee, Boyd & Gosselin 2003; Chamberland, 2003; Cunha, 2007; Nações Unidas, 2003; Schraiber, D`Oliveira, Falcão & Figueiredo, 2005). 

A Violência Doméstica constitui, uma violação dos direitos fundamentais da pessoa humana. É um fenómeno sócio-criminológico de grande complexidade, com pertinentes danos para a saúde física e psicologia das vítimas.

Apesar dos homens e rapazes também serem vítimas de violência doméstica, segundo as estatísticas da APAV cerca de 13% de homens são vítimas e cerca de 87% são mulheres, assim pode-se constatar que a grande maioria das vítimas são mulheres e raparigas. Contudo, muitas poucas pessoas do sexo masculino assumem ser vitimas de violência doméstica, devido ao estigma da sociedade, que não vê o homem como vitima, dando voz à vergonha, desvalorizando a sua vivência de violência por parte da(o) companheira(o).

A violência doméstica pode ser dividida em:

Violência física – ocorre quando alguém causa ou tenta causar dano, por meio de força física, de algum tipo de arma ou instrumento que pode causar lesões internas: (hemorragias, fraturas), externas (cortes, hematomas, feridas) …

Violência sexual – é toda a ação na qual uma pessoa, em situação de poder, obriga outra à realização de práticas sexuais contra a vontade, por meio da força física, da influência psicológica (intimidação, aliciação, sedução), ou uso de armas ou drogas…

Violência psicológica é toda ação ou omissão que causa ou visa causar dano à auto-estima, à identidade ou ao desenvolvimento da pessoa. Por exemplo: ameaças, humilhações, chantagem, exigir certos comportamentos, discriminação, exploração, crítica pelo desempenho sexual, isolamento de amigos e familiares, controlo do poder financeiro. Este tipo de violência, é a mais difícil de ser identificada. Apesar de ser bastante frequente, pode levar a pessoa a sentir-se desvalorizada, sofrer de ansiedade e adoecer com facilidade, situações que se arrastam durante muito tempo e, se agravadas, pode levar a vítima ao suicídio. 

Ciclo da violência

Segundo Deaton e Hertica (2003) no inicio da relação não existe violência, uma vez que esta ocorre lentamente (muitas vezes começa com discussões, gritos, acusações, acabando por chegar à violência), pois no princípio é difícil ver que o comportamento do parceiro pode causar danos e que este pode tornar-se perigoso. O comportamento do agressor torna-se cada vez mais violento com o passar do tempo começando por agressões psicológicas e verbais, passando para as físicas e/ou sexuais, escalando de tal forma a que por vezes passam a ameaças de morte e até mesmo ao homicídio. 

Impacto psicológico nas vítimas

O impacto da violência sobre a saúde mental da vítima é muitas vezes mais importante que todas as consequências quer físicas, quer materiais. Os bens materiais podem ser substituídos, uma perna partida pode-se curar em alguns meses, mas as feridas psicológicas, essas perduram no tempo. As vítimas apresentam mais sintomas de stress pós-traumatico do que as vítimas de outros tipos de violência ou crime contra os bens (Wemmers, 2003). 

Quando ocorre este processo de violência a vítima vê-se submetida às formas mais diversas de violência torna-se mais suscetível a responder ao agressor conforme este deseja, a vítima anula-se muitas vezes na sua própria subjetividade, ou seja, em prol das vontades do agressor (APAV, 2000; Couto, 2005; Lachapelle & Forest, 2000). 

Muitas vezes a vítima é coagida a mudar o seu ponto de vista e a sua própria maneira de pensar, e manifestar uma atitude de empatia e de aceitação do domínio que o agressor possui sobre si (APAV, 2000). 

É importante destacar que a violência psicológica não afeta somente a vítima de forma direta, esta afeta a todos que a presenciam ou convivem com a situação de violência. As grandes vítimas destas circunstâncias são os filhos que testemunham a violência psicológica e/ou física, ou até mesmo serem estes vitimas da mesma, e que podem passar a reproduzi-la por identificação ou mimetismo, passando a agir de forma semelhante com os irmãos, colegas de escola e, futuramente, com a namorada(o) e companheira(o).

A violência doméstica é um crime público e deve ser denunciado!

Com a Mind Coaching vai conseguir ser ajudada a ultrapassar este ciclo de violência e as marcas psicológicas deixadas pela mesma. A voltar a viver, a pensar por si, a lutar pela vida independente que sempre mereceu! 

Referências bibliográficas

CategoryRelacionamentos

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