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Se há rankings em que não quereríamos estar no topo, este seria um deles… Contudo faz-nos pensar, que algo não está bem. Nós não estamos bem…

Embora o termo usado na notícia refere doenças mentais, num seu todo, nos dias de hoje segundo a fonte do artigo, 18,4% da população portuguesa sofre de doença mental, onde se inclui ansiedade, depressão ou problemas com o consumo de álcool e drogas. 

Contudo são doenças que não devem ser abordadas com ligeireza, assim como não podem ser diagnosticadas “à toa”. Com isto quero dizer, que são doenças graves, que devem ser diagnosticadas, acompanhadas e tratadas por um profissional da área. 

Se sentirem que possuem alguns dos sintomas da ansiedade e consequente ou não depressão, é importante procurarem ajuda de um profissional. Ele vos irá dar estratégias, recomendações e até em caso extremos prescrever medicação para o efeito. Contudo a forma mais eficaz, poderá ser recorrer a um terapeuta, pois a vossa dor é partilhada com alguém experiente que vos irá conduzir para o caminho certo, de uma recuperação e uma vida o mais feliz possível.

Ansiedade geral, o que é?

Os transtornos de ansiedade são condições psiquiátricas caracterizadas por um medo e ansiedade ou comportamento de evitamento desproporcional à situação desencadeante, que perduraram além do esperado em relação ao evento. Desencadeiam prejuízos em função do sofrimento produzido, deteriorando a qualidade de vida e impondo restrições sociais da pessoa. 

A ansiedade é considerada uma emoção normal, comum da experiência humana, um mecanismo de defesa de caráter adaptativo, que possui o papel de mediar a interação do individuo com o meio ambiente (Ramos, 2011). De forma geral, a ansiedade é um sinal de alerta, visto que adverte sobre perigos iminentes e impulsiona o individuo a tomar medidas para enfrentar as ameaças (Vasconcelos; Costa; Barbosa, 2008). Contudo, esta passa a ser patológica quando não conseguimos sair destes pensamentos recorrentes, e estado de alerta constante, com pensamentos negativos e destrutivos, quando bloqueamos e não conseguimos tomar uma atitude face à situação.

Sintomas:

Segundo o DSM-V (manual de doenças mentais) o diagnóstico do transtorno de ansiedade deve ser feito quando for detetada a ocorrência periódica e intensa de sintomas físicos (taquicardia, palpitações, boca seca, hiperventilação e sudorese), comportamentais (agitação, insónia, reação exagerada a estímulos e medos) ou cognitivas (nervosismo, apreensão, preocupação, irritabilidade e distratibilidade/dificuldades de concetração). 

Depressão, essa sombra que nos persegue…

Depressão não é tristeza. É uma doença e como toda doença precisa de tratamento.

O reconhecimento da doença é a parte mais complicada… Alguns dados revelam que quase metade dos indivíduos que apresentam o transtorno, não são diagnosticados e tratados como tal.

Quando passamos por momentos difíceis nas nossas vidas, é comum sentirmos tristeza, desânimo ou mau humor. Porém, após alguns dias esses sentimos são contornados e conseguimos seguir com a vida adiante. Na depressão isso não acontece… Quando passamos mais de duas semanas seguidas em sofrimento, caminhando para um estado de profundo vazio e comportamentos destrutivos, poderemos estar a falar de Depressão.

O desenvolvimento ou aparecimento dos sintomas que caracterizam a depressão, estão associados à presença de um evento adverso, como, por exemplo, situações de stress, descontentamento na realização de atividades quotidianas (trabalho, casa, família) e perda de algo ou alguém significativo para o indivíduo (morte de um ente querido, fim de um relacionamento, perda do emprego, reforma, os filhos de casa saírem de casa) (Dougher & Hackbert, 2003). Como resultado, o dia-a-dia de uma pessoa com depressão fica comprometido, uma vez que a doença passa a interferir na sua capacidade de trabalhar, estudar, comer, dormir e realizar outras atividades comuns do quotidiano.

Sintomas da depressão

Os sintomas variam entre irritabilidade excessiva, ansiedade prolongada e angústia aguda; desânimo intenso e necessidade de grande esforço para realizar atividades antes corriqueiras e fáceis; incapacidade de sentir alegria em atividades consideradas prazerosas, desinteresse pelo mundo, apatia; sentimentos de desespero, desamparo, insegurança, culpa desnecessária, baixa auto-estima, pensamentos de fracasso e morte; dificuldade de concentração e raciocínio; diminuição ou ausência de libido; perda ou aumento súbito de apetite; insónias, aumento do sono, indisposição, despertar dificultoso; dores físicas sem justificativas médicas, como ânsia, enxaquecas, tensão nos músculos, pressão no peito, sensação de corpo pesado, dores de barriga e outras.

Em casos graves, podem se isolar do convívio social e até pensar em suicídio. Observa-se que a pessoa deprimida gradualmente perde o interesse por passatempos, recreações e atividades familiares (Bech et al., 1993). 

Combater os fantasmas:

Podem adotar alguns comportamentos que vos podem ajudar a melhorar o quadro depressivo. A prática de atividades físicas, por exemplo, liberta endorfina e regula os níveis de serotonina e dopamina no organismo – dois neurotransmissores ligados ao funcionamento da mente, que nos dá prazer e sensação de bem-estar.

Para vos ajudar à vossa falta de motivação, podem elaborar uma agenda e listar as vossa atividades. Aceitem convites e participem de eventos sociais, o que vos pode também ajudar a afastar os pensamentos negativos, assim como, do mesmo jeito, dedicarem a uma atividade agradável, acompanhados ou não.

Peçam ajuda a um terapeuta: O terapeuta auxilia-vos a fazer reflexões e a entenderem os vossos comportamentos, emoções e pensamentos que estão a contribuir para que o transtorno se intensifique. Ajuda-vos a identificar no processo os eventos da vida (como uma perda de um ente querido, uma separação e outros problemas). Com as sessões, serão capazes de recuperar o prazer em viver, o sentimento de controle sobre a vida e passaram a lidar melhor com os obstáculos da vida.

Bibliografia

Bech, P.; Malt, U.F.; Dencker, S.J.; Ahlfors, U.G.; Elgen, K.; Lewander, T.; Lundell, A.; Simpson, G.M. & Lingjaerde, O. (1993). Scales for assessment of diagnosis and severity of mental disorders. Acta Psychiatric Scandinavica, 372(87), 37-40. 

Dougher, M. J., & Hackbert, L. (1994). A behavioranalytic account of depression and a case report using acceptance-based procedures. The Behavior Analyst, 17, 321-334. 

Ramos, R. T. (2009). Transtornos de Ansiedade. RBM, Revista Brasileira de Medicina, 66 (11). 

Vasconcelos, A. da S., Costa, C., & Barbosa, L. N. F. (2008). Do transtorno de ansiedade ao Câncer. Revista SBPH, 11(2). 

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