Eu não preciso de um psicólogo…

Precisamos de ajuda. Não é fácil admitir, não é fácil assumir, não queremos dar parte “fraca”… No entanto, os dias consomem-nos, começamos a perder aos poucos o controle às coisas, a vida começa a desenrolar-se à nossa frente como se estivéssemos a ver um filme, que escolheram por nós, e até nem gostamos do personagem principal. Esse parece não fazer nada bem, o personagem até tenta, mas parece que quanto mais tenta pior faz, mas valia estar quieto! Mas esse personagem somos nós, e à medida que o filme se desenrola, não podemos dizer “corta” e voltar a gravar, o tempo não volta atrás. Precisamos de ajuda! Precisamos que alguém nos dê umas linhas orientadoras, nos motive a continuar, nos dê crédito pelas tentativas e erros, e nos ajude a pensar por nós mesmos, a aceitar as nossas falhas, a melhorar o nosso eu, à sempre algo a melhorar, mas devemos sempre aprender a aceitar-nos como somos, sem pressões, sem julgamentos. Por onde começar?

Psicologia/psicoterapia? Coaching? Mindfulness? Terapias alternativas? Hoje em dia à muita oferta, que nos sentimos perdidos. Afinal que precisamos nós nos dias que correm? Mais horas no dia, para que possamos estar onde e como queremos sem andarmos a correr… Talvez não seja preciso. Podemos mesmo no nosso dia-a-dia corrido encontrar um tempo para cuidar de nós e procurar ajuda à distância de um smartphone/tablet/computador. Como?

Terapia online!

Exato, podemos ter um psicólogo, um motivador, um coach, à distância, a qualquer momento, em qualquer lugar! 

Funciona comigo?

Os autores Prado e Meyer (2006) realizaram um estudo com o objetivo de verificar se seria possível atender as pessoas em psicoterapia, assíncrona, via internet. O estudo tinha também como objetivo, verificar se somente com as informações enviadas e recebidas por intermédio do computador seria possível formar e manter uma relação terapêutica com características semelhantes à das outras formas de psicoterapia. A partir dos resultados, verificou-se que se havia formado e mantido uma relação terapêutica de forma semelhante às psicoterapias presenciais e demonstrou que foi possível estabelecer, pela internet, um clima agradável e produtivo entre pacientes e terapeutas. 

Outro estudo realizado por Pieta e Gomes (2014), referentes à relação terapêutica, utilizada em intervenções em psicoterapia, indicam que as terapias online não diferem significativamente das terapias tradicionais. No que se concerne ao anonimato, alguns terapeutas relatam um nível alto de confiança e identificaram-na mais rapidamente do que os da terapia presencial. Os pacientes expõem com mais facilidade e mais rapidamente os seus problemas, apresentando dessa forma uma postura mais desinibida comparada á terapia convencional.

Alguns países, como Canadá e Holanda, entre outros, já realizaram pesquisas empíricas e metanálises mostrando resultados positivos dos atendimentos online para diversos tipos de transtornos psiquiátricos, como ansiedade, depressão e fobias (Van Bastelaar, Cuijpers, Pouwer, Riper & Snoek, 2011; Bouchard et al., 2004; Spek et al., 2007). 

Vantagens

Segundo Turkle (1997), o anonimato é um dos mais relevantes aspectos das relações virtuais. Este proporciona que os clientes se sintam mais à vontade, diminuindo a inibição, a auto-censura, e aumentando a sinceridade, a espontaneidade e as probabilidades de mudança (Prado, 2000). Da mesma forma, Farah (2004) também salienta a questão do anonimato como um dos pontos principais pelos quais as pessoas procuram o atendimento pela internet, evitando, assim, um estigma popular, como o de que “quem precisa de um psicólogo são os malucos”. Outros aspectos também foram citados na presente pesquisa e encontram fundamentação na literatura (Prado, 2000), tais como o facto de que o atendimento online proporcionar maior facilidade de espaço e tempo, possibilitando atender as pessoas que estão constantemente em viagem, ou que não conhecem profissionais na sua região ou como menciona Pinto (2002),  a terapia online cria mecanismos de fácil acesso às pessoas que por algum motivo não conseguem sair de suas casas, seja por dificuldades na locomoção, por estarem em regiões distantes ou ainda pela saúde, idosos, pessoas com deficiência física, transtornos que os impossibilitam a continuidade ou início do atendimento presencial. 

Referências bibliográficas

Farah, R. M. (2004). Orientação psicológica via e-mail – serviço oferecido pela clínica psicológica da PUC-SP. In: R. M. Farah (Org.), Psicologia e Informática: o ser humano diante das novas tecnologias (p. 44-66). São Paulo: Oficina do Livro. 

FISHKIN, R.; FISHKIN, L.; LELI, U.; KATZ, B.; SNYDER, E. Psychodynamic treatment, training, and supervision using internet-based technologies. Journal of the American Academy of Psychoanalysis and Dynamic Psychiatry, v. 39, v. 1, p. 155-168, 2011. 

PIETA, M.A.M.; GOMES, W. B. Psicoterapia pela internet: viável ou inviável? Psicologia: Ciência E Profissão, v. 34, n. 1, p. 18-31, 2014. 

PINTO, E. R. As modalidades do atendimento psicológico online.Temas em Psicologia da SBP, v. 10, n. 2, p. 167-178, 2002. 

Prado, O. Z. (2000). Terapia on-line: aspectos da ética, sua metodologia e as potencialidades e restrições. In E. Sayeg (Org.), Psicologia e informática: interfaces e desafios (pp. 75-103). São Paulo: Casa do Psicólogo.

Prado, O. Z., & Meyer, S. B. (2006). Avaliação da relação terapêutica na terapia assíncrona via internet. Psicologia em Estudo, 11(2), 247-257. 

Turkle, S. (1997). Life on the screen: identity in the age of the internet. New York: Touchstone.

van Bastelaar, K., Cuijpers, P., Pouwer, F., Riper, H., & Snoek, F. J. (2011). Development and reach of a web-based cognitive behavioural therapy programme to reduce symptoms of depression and diabetes-specific distress. Patient Education and Counseling, 84(1), 49-55. PMid:20619577 

CategoryAutoestima, Stress

© 2018 - MINDCOACHING™

info@mindcoaching.pt