Andamos a brincar ao Carnaval todo o ano?

As máscaras que usamos no dia-a-dia…

Começo por abordar a origem do termo personalidade, que vem da palavra “persona” que significa o uso de máscara no teatro grego.

Cada papel que representamos temos uma máscara usada para encenar o teatro da vida.

Desde o nosso nascimento, recebemos informações necessárias para o nosso desenvolvimento. Este desejo vindo do outro irá instituir-se no nosso inconsciente, permitindo o aparecimento de identificações nas nossas relações que irão moldar a personalidade de cada um. Passamos então a ter a percepção de como nós somos, através da nossa auto-avaliação global, de como os outros no vêem e, por fim, como realmente somos, ou seja, a nossa personalidade.

Existe um conflito interno entre os nossos desejos e o que a sociedade nos exige. E para podermos interagir em sociedade e viver de acordo com as expectativas externas, apercebemo-nos que precisamos de reprimir os impulsos e desejos, através de uma sucessão de estratégias e mecanismos de defesa.

Não podemos confundir identidade com personalidade. A Identidade é do indivíduo, próprio e singular. Personalidade significa aquilo que representamos perante uma sociedade e como nos relacionamos com os outros.

Segundo Freud “não somos apenas o que pensamos ser. Somos mais: somos também o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos ‘sem querer’.” Contundo na nossa vida precisamos de usar máscaras todos os dias. É assim que garantimos o desempenho dos vários papéis nas nossas vidas e nos conseguimos relacionar.  Desde crianças já tivemos brincadeiras de fingirmos ser outra personagem (super-herói, actor/atriz, cantor(a), …). Na vida adulta é nos dado um único papel, pelo qual traçamos objectivos e temos que os cumprir. E ao cumprirmos esse papel vamos utilizando diferentes máscaras sociais, seja no trabalho quando precisamos estar concentrados e atentos na tarefa, sorrir para o colega e/ou para o chefe para criar bom ambiente no trabalho; numa relação em que tentamos agradar o outro cedendo em algumas decisões; quando andamos o dia a sorrir e não encontramos razões para tal mas pensamos que há quem esteja pior, quando sofremos em silêncio… Com esta constante representação podemo-nos esquecer do nosso verdadeiro eu, o self. Pensar que somos a própria máscara faz-nos perder de nós mesmos. Ao identificarmo-nos com a persona, o nosso mundo torna-se vazio, superficial, sem comunhão com o nosso eu interno.

O perigo de usarmos máscaras é o de nos perdermos no mundo da agradabilidade social e da naturalidade das expectativas que criamos nos outros. O nosso eu vai-se perdendo nos outros que vamos construindo ao longo da vida.

Somos movidos muitas vezes pelo interesse pessoal e profissional, e com isso mentimos ou omitimos como nos é esperado ou exigido pelo outro ou como a sociedade quer e não da forma como a nossa consciência nos pede. Com tudo isso criamos uma máscara que utilizamos de acordo com as nossas necessidades e interesse, em que muitas vezes não revela o nosso desejo e o nosso verdadeiro pensamento.

Por isso, cabe a cada um de nós o reconhecimento das diversas possibilidades e a procura pelo equilíbrio entre aquilo que queremos e o que querem de nós. Já dizia Freud “nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons.”

Caso esteja interessado em conhecer o nosso método de trabalho de modo a que consiga ser a versão mais feliz de si próprio, basta entrar em contacto connosco através do formulário em baixo:

    © 2018 - MINDCOACHING™

    info@mindcoaching.pt