O termo mindfulness é uma tradução inglesa da palavra “sati” que na linguagem Budista Pali, abrange o significado de atenção e consciência. (Segal, Williams & Teasdale, 2002; Thera, 1972, cited in Cardaciotto, 2005).

Enquanto prática meditativa, mindfulness é muitas vezes interpretado como uma “prática de atenção plena”, no contexto de aptidão mental, mindfulness designa um traço e/ou estado psicológico de “atenção plena no momento presente”.

O mindfulness, ou atenção plena, é uma técnica de meditação da tradição budista, e tem vindo a ganhar destaque ao longo do tempo, apesar de alguma resistência por parte da comunidade cientifica. Atualmente, o mindfulness aparece como uma das terapias cognitivas de terceira geração, tendo como objetivo manter a consciência no momento presente, levando a um sentimento de bem-estar e desapego a experiências de sofrimento, sendo uma boa ferramenta para ser aplicada em situações de perturbações de ansiedade, depressão, dor crónica, etc.

Como Funciona?

Atendendo a que as pessoas funcionam muito em “piloto automático”, o Mindfulness consiste em focar a atenção para as suas experiências no momento presente e sem as julgar. Tudo o que ocorre na consciência individual durante a prática do Mindfulness, como as perceções, cognições, emoções ou sensações são analisadas cuidadosamente, mas não são avaliadas como boas ou más, verdadeiras ou falsas, saudáveis ou doentes (Marlatt & Kristeller, 1999, cit. in Baer, 2003). Ou seja, o mindfulness pode ser descrito, segundo estes autores, como a capacidade de encaminhar totalmente a atenção às experiências do momento presente, aceitando-as sem as julgar. A atitude de não julgar contrasta com a tendência automática das pessoas lutarem contra vivências aversivas, deixando de viver a realidade.

O Mindfulness permite, assim, ações mais refletidas, ajudando no uso de estratégias de coping mais eficazes e adaptativas (Bishop et al., 2004).

Prática e Resultados:

Experimentem a prática no banho: sintam a temperatura da água, o toque das gotas da água a cair sobre, observe cada sensação e cada movimento realizado. Sintam a temperatura da água e não a examinem como boa ou má, simplesmente sintam. Observem os movimentos verticais ou circulares, a espuma, o cheiro do sabonete e/ou gel de banho, observem também como durante o banho a vossa mente vai para longe, tendo a tendência de se lembrarem de algo que passou, ou pensar no que farão depois do banho, nestes momentos, apenas observem o processo de como a mente trabalha e escapa do presente e retornem à experiência de tomar banho de forma completamente consciente, observem o que estão a fazer no momento, e toda vez que a mente divagar, gentilmente tragam-na de volta para o “aqui” e “agora”, estando conscientes de cada movimento e sensação. Isto pode ser feito no acto de lavar os dentes, de comer, em diversas actividades do dia a dia.

Outra actividade é o foco na respiração. O meditador inicialmente foca a sua atenção na respiração, até a atenção se encontrar relativamente estável. A partir deste ponto, é capaz de observar qualquer evento físico ou mental que pode naturalmente surgir no campo da consciência. Estes episódios alteram-se de momento para momento e são observados com curiosidade, em vez de serem julgados ou avaliados (DeCharms, 1998, cit. in Weick & Putnam, 2006, p.276; Kabat-Zinn, 1982, cit. in Shigaki, Glass & Schopp, 2006).

O mindfulness vai ajudar-vos a ter um maior controle sobre a vossa vida e os vossos pensamentos. Ao tratarem das vossas emoções sem um peso positivo ou negativo, ou seja, são apenas emoções, a prática do mindfulness ajuda-vos a:

  • aumentar a confiança para enfrentarem as situações que vos provoca mal-estar;
  • terem mais entusiasmo e energia;
  • lidarem melhor com o stress;
  • terem consciência de tudo o que a vossa vida já tem de bom;
  • conhecerem-se melhor e conviverem melhor com os outros;
  • desenvolverem a auto-aceitação e auto-estima.

Os autores Kiken & Shook, (2014), fizeram um estudo em que uma amostra de adultos saudáveis, realizaram uma breve indução da meditação mindfulness (focada na respiração), e esta os ajudou a reduzir a frequência de pensamentos negativos mesmo após a exposição destes a estímulos emocionais negativos.

Se se identificam com a prática de Mindfulness conte com a Mind Coaching para vos ajudarem a colocar esta técnica em prática. Se acham que não é para vocês, não se preocupem! Na Mindcoaching cada caso é analisado por um terapeuta especialista e são adaptadas as técnicas utilizadas, respeitando as preferências, crenças, preferências e a individualidade de cada pessoa.

Bibliografia:

  • Baer, R. (2003). Mindfulness Training as a Clinical Intervention: A conceptual and empirical review. American Psychological Association, 10, 125-143.
  • Bishop, S., Lau, M., Shapiro, S., Carlson, L., Anderson, N., Carmody, J., Segal, Z., Abbey, S., Speca, M., Velting, D., & Devins, G. (2004). Mindfulness: a Proposed Operational Definition. Clinical Psychology: Science and Practice, 11(3), 230-241.
  • Cardaiotto, L.A. (2005).Assessing Midfulness: The development of a bidimensional measure o awareness and acceptance. Tese de Doutoramento apresentada à Faculty of Drexel University.
  • Kiken, L. G. & Shook, N. J. (2014). Does mindfulness attenuate thoughts emphasizing negativity, but not positivity? Journal of research in personality, 53, 22-30. https://doi.org/10.1016/j.jrp.2014.08.002
  • Shigaki, C., Glass, B. & Schopp, L. (2006). Mindfulness-Based Stress Reduction in Medical Settings. Journal of Clinical Psychology in Medical Settings, 13(3), 209- 216.
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