Adição Tabágica e Comportamento Aditivos: Quando um Vício se torna Doença

O tabaco é um dos principais vícios em todo o mundo, sendo as suas funções, causas e efeitos variados de pessoa para pessoa.

Segundo o Relatório da OMS sobre a Epidemia do Tabaco, publicado em 2009, o tabagismo é a principal causa de morte passível de prevenção no mundo, matando mais de 5 milhões de pessoas por ano. Além disso, o vício foi responsabilizado por desabilitar outros milhares de pessoas para o trabalho, nos seus anos mais produtivos, diminuindo a renda das famílias e aumentando o custo com a saúde.

Tomkins, em 1966, foi o primeiro autor a explicar porque se fumava, e acreditava que havia 4 principais motivos para o tabagismo: para reforçar emoções positivas, para reduzir emoções negativas, por hábito ou por vício.

Durante a adolescência, quando ainda nos estamos a desenvolver a nossa personalidade e identidade, a experimentação do tabaco para o adolescente é parte do processo de auto-conhecimento, servindo como uma forma de desafio e de procura de identificação com os pares. Por isso é muito comum, a maioria dos fumadores em adultos, identificarem a a fase inicial do hábito de fumar à sua adolescência.

Os fumadores devem aprender a identificar as situações que os ligam ao tabaco, devem aprender a gerir o stress, a controlar os sintomas de abstinência da nicotina e a prevenir a recaída, consciencializando-se das situações tentadoras e formulando estratégias capazes de as ultrapassar (Rodrigues, 2002). Todos nós que fumamos sabemos interiormente que há algo nos causa sentir a necessidade de fumar. No entanto, não é comum irmos em busca da solução para essa causa e continuamos com o vício, apaziguando apenas o stress com o fumo.

Caracterização e Classificação:

O comportamento aditivo é caracterizado por uma aparente perda de controlo e autonomia do próprio comportamento, podendo assim presumir que existe uma falha a nível do funcionamento do controlo inibitório, capacidade de tomada de decisão e regulação das emoções, em sujeitos dependentes de substâncias.

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) verificamos que os autores dividem a Perturbação, pela Utilização de Substâncias em várias classes, como: álcool, cafeína, Cannabis, alucinogénios, inalantes, opióides, sedativos, hipnóticos e ansiolíticos, estimulantes, tabaco e ainda outras substâncias. No capítulo “Perturbação pela Utilização de Substâncias” os critérios de diagnóstico estão separados ainda por grau de dependência (leve, moderado ou grave), podendo assim o técnico de saúde avaliar o grau de dependência físico e psicológico em que o indivíduo se encontra.

A nicotina é uma substância existente na folha e no fumo do tabaco, com propriedades psico-activas, e é responsável pela dependência provocada no consumo de tabaco, a dependência causada pela nicotina é de natureza física e psicológica. Quando os níveis de nicotina baixam, podem surgir diversos sintomas, ou seja, dificuldade de concentração, insónia, ansiedade, irritabilidade. A crença de que o cigarro vai relaxar incita a fumar. Os fumadores passam a ter a crença de que o consumo da nicotina provoca determinados efeitos, e evitará outros. A dependência de nicotina está classificada como uma doença de acordo com a Classificação Internacional das Doenças da Organização Mundial da Saúde (CID 10, código F 17.2), devendo por isso ser diagnosticada e tratada enquanto tal (Nunes, 2006).

Causas e consequências:

A adição prejudica o sistema de aprendizagem e memória normais, devido ao uso crônico, estabelecendo hábitos compulsivos. Anomalias em quaisquer destas funções cognitivas podem levar-nos a decisões inadequadas que favoreçam recompensas imediatas sobre as mesmas, mesmo quando desejamos abstermos de fumar.

Algumas técnicas para deixar de fumar:

Deixar de fumar não tem uma fórmula mágica. Lembrem-se que deixar de fumar requer vontade e compromisso, contudo podem experimentar estas dicas:

  • Motivação: Façam uma lista com duas colunas, nas quais inclua as razões contra e a favor desta decisão, se existirem mais a favor do que contra é sinal que estão preparados para uma nova etapa;
  • Respiração: nunca é demais referir a importância de saber respirar corretamente, assim como técnicas de relaxamento para superar os momentos de maior ansiedade;
  • Redução da nicotina: consiste em reduzir progressivamente a nicotina do organismo, para que a abstinência e a ansiedade sejam menores. Uma vez começado o processo, vão deixando para trás os cigarros que são menos importantes diariamente, até que eliminem definitivamente os cigarros;
  • Eliminar rotinas: quando pararem de fumar, desfaçam-se de tudo aquilo que se relacione ao tabaco (cinzeiros e isqueiros). É também aconselhável que, na medida do possível, evitem aquelas situações nas quais fumar um cigarro seria muito comum, por exemplo após a refeição, ao invés de fumarem vão dar uma volta, masquem uma pastilha, lavem os dentes,..;
  • Praticar um desporto: seja uma leve caminha, começar a correr, ir ao ginásio, … Após deixarmos de fumar, além de respirarmos melhor, praticar desporto vai parecer muito mais fácil e simples, ajudando também na redução de stress e aumentando os níveis de “felicidade”.

Tratamento

O terapeuta identifica, juntamente com a pessoa, situações de risco, bem como ensaia estratégias de coping que podem ser usadas em situações de abstinência. Através de técnicas imaginativas, os participantes poderão imaginar vivamente as situações de crise e que podem desencadear uma recaída.

A recaída ocorre no caso de o paciente voltar a fumar, e nesse caso, deve-se abordá-la de forma não crítica, informando o paciente de que a recaída é esperada, e não um fracasso, no sentido de se manter a abstinência. Os factores precipitantes da recaída devem ser minuciosamente analisados, como uma aprendizagem para que novas recaídas não ocorram.

A cessação tabágica contribui para a redução dos sintomas respiratórios (ex: tosse, dificuldade respiratória, expetoração, pieira, bronquite). Decorridas 12 horas após a cessação tabágica, os níveis de monóxido de carbono no sangue voltam ao normal, e os níveis de oxigénio no sangue aumentam, após 72 horas a capacidade pulmonar melhora, e a respiração torna-se mais fácil, há uma melhoria do paladar e do olfato, bem como da cor e do aspeto da pele. Com 5 anos de abstinência o risco de cancro da cavidade oral e esófago diminui para metade, em 10 anos de abstinência o risco de cancro do pulmão reduz cerca de 30% a 50% face aos fumadores e em 15 anos de abstinência, o risco de doença cardiovascular é igual à de um não fumador (Nunes, 2006).

Na MindCoaching adequamos o tratamento à vossa necessidade. É feita uma avaliação do estado psicológico do paciente, do grau de dependência da nicotina e do seu estado motivacional para abandonar o cigarro. Esta avaliação é importante, pois permite traçar um plano de tratamento individualizado, adequado às necessidades de cada paciente, potencializando os resultados da terapia.

Preferencialmente passará por uma terapia breve, onde se prevê o cumprimento de 5 passos, correspondendo à mnemónica dos “5As”: Abordar os hábitos tabágicos; Aconselhar a deixar de fumar, Avaliar a motivação para deixar, Apoiar uma tentativa de abandono dos hábitos tabágicos; Acompanhar a evolução do processo terapêutico (Rodrigues, 2002). Iremos adotar estratégias ao longo do percurso, modificando e testando consoante a vossa adaptação à cessação tabágica.

Não deixem que este vício continue a pôr em causa o vosso futuro. Façam de vocês mesmos a prioridade número 1 da vossa vida e garantam que conseguem desfrutar de todos os anos que vivem!

Não existe nada mais valioso que o tempo, acreditem que perdê-lo em hospitais, com tratamentos para o cancro do pulmão é a última coisa que vão querer fazer.

Bibliografia

Nunes, E. (2006). Tabaco. Efeitos na Saúde. Revista Portuguesa de Clínica Geral, 22, 225-244.

Rodrigues, H. L. (2002). Qual a contribuição da farmacoterapia na cessação tabágica? Revista Portuguesa de Pneumologia VIII (2): 1-24.

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