Perturbação Obsessivo-Compulsivo (POC):

A POC é uma Perturbação de Ansiedade comum, frequentemente crónica e potencialmente incapacitante. É uma das perturbações que, no geral, mais desgasta as pessoas a nível emocional, intelectual e mesmo físico e como tal, limita a qualidade de vida. É caracterizada por, tal como o nome indica, obsessões e compulsões (DSM 5, American Psychiatric Association, 2013):

  • Obsessões – Definidas como ideias, pensamentos, impulsos ou imagens persistentes sentidas como intrusivas ou inapropriadas, causadoras de ansiedade;
  • Compulsões – Ações, comportamentos ou pensamentos repetitivos, que têm como objetivo diminuir a ansiedade gerada pela obsessão. Ou seja, na compulsão o sujeito perceciona a função de controlo sobre essa ansiedade e pretende reduzir o sofrimento, mesmo acreditando que possa ser inadequada.

 

Bloch et al (1998) sugeriram quatro principais dimensões:

  1. Dimensão de pensamentos agressivos/ verificação: em que as obsessões podem ser de teor agressivo, sexual ou religioso, com rituais de verificação, repetição ou outros (Ex: rezar, contar, repetir palavras em silêncio);
  2. Dimensão de simetria/ordem: caracterizada por obsessões de simetria e ordem e compulsões de ordenação e contagem (Ex: rodar a fechadura 3 vezes para certificar que está bem fechada);
  3. Dimensão de contaminação/limpeza: com obsessões de sujidade / contaminação e compulsões de limpeza (Ex: lavar as mãos repetidas vezes e por uma ordem específica pois só assim irão ficar desinfetadas);
  4. Dimensão “hoarding”: com obsessões e compulsões acerca de acumular e/ou colecionar objetos (Ex: colecionar jornais, revistas, objetos e não conseguir desfazer-se de bens materiais).

 

Esta Perturbação de Ansiedade pode tornar-se muito incapacitante, uma vez que as obsessões e as compulsões podem causar défices funcionais em várias áreas (redução da capacidade de trabalho, de sociabilização, perturbação de relacionamentos afetivos e familiares), comparativamente a indivíduos saudáveis.

A POC encontra-se entre as 10 maiores causas de incapacidade, provocando um forte impacto negativo na vida dos pacientes e no normal desempenho das suas atividades. (OMS, 2007)

 

Caracterização da POC:

Num estudo com 431 doentes com POC (Foa et al., 1995) verificou-se que as obsessões mais comuns nesta perturbação são: contaminação de germes, vírus, fluidos do corpo, químicos ou materiais perigosos (38%); medo do perigo, como por exemplo de portas mal fechadas (24%); preocupação excessiva com a ordem ou com a simetria (10%); as obsessões com o corpo ou com sintomas físicos (7%); pensamentos religiosos, sacrílegos ou blasfemos (6%); pensamentos de ordem sexual como por exemplo de pedofilia ou homossexuais (6%); vontade de acumular bens inúteis ou desgastados (5%); e, por fim, pensamentos de violência ou de agressão (4%). Já relativamente às compulsões mais comuns e a sua frequência: verificações (29%); limpeza e lavagens (27%); repetições (11%); compulsões mentais, como por exemplo palavras especiais ou repetições de números (11%); ordem, simetria e exatidão (69%); colecionismo (4%); e, por último a contagem (2%).

A severidade da POC é diversa, existindo casos com sintomas leves até casos com sintomas extremamente graves e incapacitantes. É uma perturbação em geral crónica e manifesta-se independentemente de sexo, raça, inteligência, estado civil, nível socio-económico, religião ou nacionalidade, com uma prevalência atual de 2% a 2,5% ao longo da vida (Torres & Lima, 2005). Normalmente, a perturbação começa no início da idade adulta, mas pode ocorrer tão cedo como na infância (Young & Hawkins, 2011). Contudo, enquanto criança, é mais difícil distinguir os sintomas da POC, uma vez que as crianças não se apercebem da mesma e não sabem identificar sintomas, ou hábitos como recorrentes.

 

Quais são as causas da POC?

São difíceis de determinar as causas. Sabe-se, porém, que os doentes com POC têm diferenças biológicas (mais concretamente ao nível neuro-químico) em comparação com as pessoas saudáveis. Podem ser por causas genéticas, por vezes, a POC é hereditária, ou seja, pode ocasionalmente ocorrer em várias pessoas da mesma da família. O Stress, mais uma vez o stress aparece como causador de uma perturbação psicológica. Tipos de personalidade, uma vez que em geral, pessoas meticulosas e metódicas e que valorizam a arrumação, têm uma maior probabilidade de desenvolver POC, isto quando levadas ao extremo podem constituir um problema de saúde mental.

 

Como pode a rede de suporte ajudar uma pessoa com POC?

Enquanto familiar e/ou amigo de uma pessoa com POC ficamos muitas vezes sem saber como lidar com a doença, e principalmente como podemos ajudar.

As pessoas com POC têm muitas vezes vergonha de partilhar a sua doença com família e/ou amigos, silenciando-a enquanto puderem.

Podem arranjar em conjunto, estratégias para ajudar no combate à doença. No caso de o doente concordar, podem falar sobre formas de ajudarem a pessoa no processo de tratamento da POC: quando o doente sentir necessidade de fazer compulsões, uma das ações será confortá-lo com palavras de suporte e encorajá-lo nos seus objectivos, reforçando as metas que conseguiu atingir até à presente data e tomar cada dia como uma nova oportunidade para contrariar algo, por pequena que tenha sido a conquista.

 

Tratamento

Estatisticamente, mais de metade destas pessoas chegam também ao diagnóstico de depressão maior (o que, por sua vez, piora os sintomas obsessivos), ou a fobia social, ou a fobias específicas, ou a perturbação de pânico, ou a perturbação dismórfico corporal, doenças do comportamento alimentar, entre outras. Para evitarem chegarem a doenças mais graves do foro psicológico, juntem-se à a Mindcoaching, aqui o psicólogo vai ajudar-vos a desenvolver estratégias práticas para evitarem comportamentos compulsivos e a relativizar as obsessões, para quebrarem com o ciclo vicioso da POC. Para além disso, o psicólogo ajuda também a gerir expectativas, os progressos e os objectivos em parceria convosco, para que possam retomar o controlo da vossa própria vida.

Pedir ajuda é talvez o passo que mais custa mas acreditem, é um passo de que nunca se vão arrepender.

Não continuem a carregar o peso sobre as vossas costas, deixem-nos aliviar-vos!

 

Bibliografia:

Bloch MH et al., Meta-analysis of the symptom structure of obsessivecompulsive disorder. Am J Psychiatry, 2008. 165(12): p. 1532-42.

Challacombe, F. , Oldfield, V.B. and Salkovskis, P. (2011) Beak Free from OCD-Overcoming Obsessive Compulsive Disorder with CBT. London: Vermilion.

Foa, E., Kozak, M., Goodman, W. et al. (1995). DSM-IV Field trial: Obsessive Compulsive Disorder. American Journal of Psychiatry, 152, 990-996.

Torres, A., Lima, M. (2005). Epidemiologia do perturbação obsessivo-compulsivo: uma revisão. Revista Brasileira de Psiquiatria, 27 (3), 237-242

Young, A. & Hawkins, S. (2011). Assessment of obsessive-compulsive disorder. Practice Nursing, 22 (4), 178-183.

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