Ansiedade: o que é ao certo esta doença de que todos falamos?

Todos já ouvimos e até utilizamos a palavra ansiedade, na sua maioria, em contextos de certo modo errados. Então de que forma podemos entender a ansiedade?

Segundo um estudo sobre Saúde Mental, realizado em 2013 pela Direção Geral de Saúde (DGS), as Perturbações de Ansiedade encontram-se na maior prevalência anual das perturbações psiquiátricas em Portugal (16,5%). Dentro das Perturbações de Ansiedade, temos uma maior prevalência ao nível das Fobias Específicas (8,6%), Perturbações de Pânico (4,4%), Perturbação de Stress Pós-Traumático (2,3%) e por último a Perturbação de Ansiedade Generalizada (2,1%). Assim, a Direção Geral de Saúde determina ser necessário aumentar a intervenção psicológica, de forma a corresponder ao elevado número de indivíduos com este tipo de perturbações.

Segundo Gentil (1996) a ansiedade é definida como sendo um estado emocional de preocupação desagradável, acompanhado por um desconforto, devido à antecipação de acontecimentos de perigo e/ou desconhecidos. Envolve respostas comportamentais, cognitivas e fisiológicas que variam de pessoa para pessoa. Muitas vezes estas respostas ansiosas são relacionadas a estados de medo.

Enquanto a ansiedade comum faz as pessoas agirem mais rápido, porque ficam eufóricas, a ansiedade patológica tem o efeito contrário: as pessoas com esse tipo de ansiedade acabam por não conseguir executar tarefas simples do dia-a-dia, como ir trabalhar ou fazer uma pesquisa para a faculdade ou um exame/teste, porque se sentem demasiado ansiosas e “bloqueiam” na hora de desenvolvê-las.

As diversas Perturbações de Ansiedade podem tornar-se incapacitantes e muitas vezes tornam-se crónicas e sendo incapacitantes, tornando-se uma elevada carga social e económica para a população.

Sintomas da ansiedade

Os transtornos de ansiedade são caracterizados por sintomas emocionais, cognitivos e físicos, tais como:

  • Emocionais: irritabilidade, sentimento de culpa, medo, preocupação exagerada com futuro e com a saúde, diminuição do humor, comportamento de fuga, nervosismo;
  • Cognitivos: dificuldade de concentração, pensamentos negativos, aceleração dos pensamentos ou “vazio” na mente, linguagem afetada;
  • Físicos: dor no peito, taquicardia, formigueiro, sudorese, calafrios, “frio na barriga”, tensão muscular, desconforto gastro-intestinal. 

Ansiedade e diagnóstico:

A ansiedade pode ser manifestada desde crianças, adolescentes e adultos das mais variadas formas e os os mais variados aspectos e estímulos que parecem ameaçar-nos. Uma avaliação que se poderá fazer face a uma ansiedade patológica é quando esta é exagerada face ao estímulo, por isso existem diferentes transtornos associados à mesma: Agorafobia, Distúrbio de Pânico, Ansiedade Generalizada, Fobias Especificas, Mutismo Selectivo, Depressão Major, Disforma Corporal, Espectro do Autismo, Perturbações da Personalidade, Ansiedade Social, entre outras condições médicas e mentais (APA, 2013).

Uma boa avaliação, para ser feita uma diferenciação entre ansiedade normal e a patológica, deve, segundo Santos (2000), ter em conta quatro aspectos: “intensidade, duração, interferência e frequência em que ocorrem os sintomas.”

Estratégias para lidar com a a ansiedade: 

  • Identificar o problema: A ansiedade pode ser causada por diversos motivos. Pode estar com o prazo apertado no seu trabalho; pode ser por causa de uma resposta importante que não chega; até mesmo por algo que não esteja relacionado diretamente a você, por exemplo o inicio da escola do filho, algum familiar que esteja a passar por um momento difícil na vida e não consegue ajudar… Podem ser muitos os motivos da ansiedade, mas é importante identificá-los. Para conseguir isso, tentem ficar um pouco a sós e pensem no vosso dia-a-dia. Reparem se há algo diferente, alguma mudança, … Tentem isolar aquele momento do dia ou em a pessoa em que pensam e que provoca ansiedade. Com o motivo identificado, respirem fundo e tentem pensar que não existe razão para tanta ansiedade. Reprogramem a vossa mente para ficar mais tranquila diante do problema que vos deixa tão impaciente. Não é fácil inicialmente, mas com o tempo será um exercício que conseguirão praticar com mais facilidade – tentem fazê-lo com a ajuda de um profissional, que vos irá ajudar a ver de outra perspetiva e apoiar-vos na estratégia certa para enfrentarem o mesmo.
  • Controlar a respiração: É normal que num momento de ansiedade o coração dispare e a respiração fica difícil. Com o tempo, podem até desenvolver sintomas físicos para as preocupações. Respirar corretamente atua sobre o nosso sistema nervoso, fazendo desacelerar os processos no corpo desencadeados pela tensão. Assim, sempre que sentirem que a ansiedade a tornar-se difícil de suportar, pare tudo e respirem profundamente. Isto é, inspirar de forma lenta e profunda pelo abdómen e não o peito e depois, expirem esse ar lentamente. Façam este processo algumas vezes, depois tentem voltar à respiração normal. Se a ansiedade persistir, é repetir até se sentirem mais calmos.
  • Pratiquem exercício físico: Parece uma contradição, mas praticar exercício físico é excelente para acalmar o corpo e a mente. Isto porque, durante a atividade física, o corpo liberta substâncias que aumentam a sensação de prazer. Além de se distraírem dos problemas do dia, ainda vão melhorar o desempenho da circulação sanguínea e da própria respiração, que como já se viu acima, é muito importante no controlo da ansiedade. Coisas simples, como uma caminhada, já é um bom inicio para iniciar a jornada contra a ansiedade.
  • Evitem pensamentos negativos: Em situações de ansiedade que se prolongam por grandes períodos, deve-se tentar dimensionar a gravidade da situação, questionando a vós próprios se estamos a dar uma dimensão e gravidade maior ou se estamos a subestimar o grau de controle que podemos ter na mesma. Uma vez avaliada a situação, devemos substituir os pensamentos sobre o evento temido, principalmente os negativos. Sempre que se iniciar um pensamento negativo, deve-se substituí-lo por outro pensamento qualquer, preferencialmente, agradável. Claro que esta tarefa não é fácil, por isso uma vez mais a importância de referir a ajuda de um bom profissional, no sentido de nos ajudar a identificar estes pensamentos e nos ajudar no mecanismo de “substituição” de pensamentos e na avaliação dos mesmos.
  • Estejam rodeado dos que mais ama e dediquem mais tempo a vocês: Conviver com pessoas da família, amigos e conhecidos que se tenha afinidade faz toda diferença na qualidade de vida. A companhia de quem amamos é especial para o nosso estado emocional. Quem está bem vive mais relaxado e menos ansioso. Por outro lado, reservar algum tempo do dia para nós mesmos e sermos capazes de ouvir as nossas necessidades pode contribuir diretamente para o controle da ansiedade. Saber olhar para dentro, atender e contribuir para atingir metas de vida é uma acção de grande poder na vida. Quem tem total aceitação de si mesmo pode pensar, dizer e agir sem culpa.

A ansiedade é um dos nossos males modernos, está presente no nosso dia-a-dia e, se não agirmos com cuidado e procurarmos ajuda, pode tomar conta da nossa vida.

Na terapia, trabalhamos os pontos que podem estar a causar mais tensão na vossa vida, e o porquê de se sentirem assim frequentemente. O objetivo é mostrar-vos quais as formas de lidar com a ansiedade, como proceder quando se sentirem que vos está a incomodar, ou mesmo prever quais as situações que poderão deixar-vos ansiosos, onde terão ferramentas para enfrentar as diferentes situações de ansiedade.

Com o apoio de um psicoterapeuta poderão:

  • Compreender e aprender a controlar as possíveis causas do stress na vida, lidar e gerir o stress e aprender exercícios de relaxamento adequado a diferentes situações;
  • Reconhecer e substituir os pensamentos que causam pânico, diminuindo o sentimento de impotência; conseguir evitar pensar que as pequenas preocupações se irão transformar em graves problemas;
  • Conseguir gerir a vida por forma a dar prioridade a um estilo de vida saudável que inclua exercícios, descanso suficiente e uma boa alimentação; entre outros…

Nunca estarão sozinhos durante todo o processo, até conseguirem lidar e arranjar as estratégias por vocês próprios. Ajam agora, mudem a vossa qualidade de vida, o vosso bem-estar…mudem-se para melhor!

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