Síndrome de Peter Pan: “ O menino que não queria crescer”

Todos conhecemos o Peter Pan como o menino que não queria crescer. Nos tempos de hoje, vemos muito adultos na mesma situação. Com o crescimento das responsabilidades de uma vida adulta será normal não querermos crescer? Podemos falar em síndrome?

A emancipação tardia dos jovens (seja pela atual crise económica que obriga os jovens a manterem-se mais tempo dependentes dos pais, seja por questões culturais…); ou ideias pré-concebidas da atualidade de que para ser feliz, são necessárias muitas coisas e é preciso tê-las de forma imediata (modo de pensar típico das crianças); ou a educação permissiva que foi dada nos últimos tempos, o que faz com que muitos dos adultos de hoje não valorizem o esforço, nem tolerem frustrações.

Muitos de nós nos podemos identificar com alguns destes temas, uma vez que estamos na era das tecnologias e do imediato, tendo-se tornado um hábito termos quase tudo à distância de um clique.

Adultos que ficaram presos na infância:

“Estes adultos preferiram refugiar-se na Terra do Nunca e não enfrentar a vida real.”

Como começou a ser estudado este síndrome?

O termo tornou-se conhecido em 1983, a partir da publicação do livro do psicólogo americano, Dan Kiley, intitulado – Peter Pan Syndrome: Men Who Have Never Grown Up ou “Síndrome de Peter Pan- O Homem que nunca cresce”. Não é reconhecido   actualmente como uma doença mental, pelo CID ou DMS-V (ambos manuais para caracterização de doenças mentais), mas traz comportamentos desorientadores às pessoas e aos seus relacionamentos habituais.

Mais recorrentemente manifestada em homens que em mulheres, o síndrome de Peter Pan caracteriza-se, pela imaturidade em certos aspetos (psicológicos, sociais, sexuais), com comportamentos narcisistas, de dependência, irresponsabilidade, rebeldia, entre outros. Acima de tudo, são pessoas que temem a solidão, o abandono e o fracasso. Costumam ter mais de 30 anos e irradiam bem-estar no primeiro momento em que os conhecemos. A irresponsabilidade é uma de suas características principais, que exercem colocando a culpa nos outros e faltando a compromissos. No âmbito dos relacionamentos amorosos, não se esforçam para fazer parte de um casal maduro e estável. É difícil de aceitarmos quando estamos nesta posição, mas a verdade é que muitos de nós, num momento ou outro da nossa vida, temos comportamentos deste género. O mais importante é termos consciência disso, tentando fazer um esforço consciente por mudar, por assumir as responsabilidades que temos e de fazer o nosso papel enquanto adultos na sociedade.

Consequências da síndrome de Peter Pan (SPP):

As consequências do SPP podem levar a alterações emocionais graves, como altos de níveis de ansiedade e tristeza que podem levar à depressão. Como se sentem insatisfeitos com as suas próprias vidas, e uma vez que não assumem a responsabilidade pelas suas ações, isto faz com que não tenham realizações próprias, afetando assim diretamente a autoestima.

Crescer como pessoa é parte do desenvolvimento natural dos seres humanos, mas nem sempre é uma tarefa fácil. Para ser adulto é necessário que se tome a decisão de crescer e adotar valores e objetivos de vida. É também necessário que desista de algumas coisas para que se atinja os objetivos, se responsabilizar pelos próprios erros e consiga tolerar os dias de frustração. Amadurecer não significa ter que perder a criança que há dentro de nós, pois precisamos que essa criança venha à tona, às vezes, para que a vida não seja tão rígida, só não se pode permitir que essa criança nos domine e dificulte a vida adulta, como no caso do Peter Pan. É indispensável ter uma relação harmoniosa entre o adulto e a criança interior. Amadurecer com sucesso é alcançar um equilíbrio entre esses dois aspetos da nossa personalidade.

O autoconhecimento, proporcionado pela psicoterapia é o caminho mais eficaz para o tratamento desta síndrome. Nesse processo, o indivíduo consegue perceber que se está a negar a amadurecer e a assumir as responsabilidades que vêm com a idade. É possível dar-se conta que sente saudades da casa dos pais, de um lar com carinho, comida e roupa lavada sempre à mão, sem se preocupar com a rotina e os problemas do dia a dia. Porém, é inviável manter a vida que tivemos na infância para sempre. Precisamos assumir as nossas vidas, as responsabilidades e escrever as nossas próprias histórias, errando, acertando e acima de tudo, aprendendo sempre.

Ao trabalharmos com um terapeuta experiência vasta, a probabilidade de ultrapassarmos este tipo de dificuldades torna-se exponencialmente mais fácil e rápido que se tentarmos fazer tudo por nós mesmos.

Pedir ajuda não é uma vergonha, vivemos em comunidade precisamente para que haja inter-ajuda!

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