O Esgotamento Psicológico, “Burnout”, passou a ter mais protagonismo no mundo laboral, quando passou a explicar grande parte do impacto das atividades ocupacionais no trabalhador e deste na organização.

Começando por partes: O que é, afinal, o Esgotamento Profissional?

O termo Esgotamento Profissional foi mais conhecido através do psicólogo Herbert Freudenberg em 1974 para descrever um tipo de stress psicológico caracterizado pela exaustão, falta de entusiasmo e motivação, sentimento de ineficácia, frustração. Estes sintomas resultam na redução da eficácia no local de trabalho.

Identificam-se com este sentimento? Pois é! Atinge inúmeras pessoas. É mais fácil sermos alvo deste tipo de fadiga crónica do que seria desejável.

Embora o diagnóstico já tenha sido incluído na décima revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10) com o código Z73.0 (esgotamento). No entanto, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição (DSM-5) não a reconhece como um transtorno.

Deverá ou não ser reconhecido como um transtorno psicológico?

O Esgotamento Profissional foi reconhecido como um risco ocupacional para profissões que envolvem cuidados com saúde, educação e serviços humanos (Golembiewski, 1999; Maslach, 1998; Murofuse et al., 2005).

Como o Esgotamento Profissional é consequente a um processo crónico de stress, e que o stress na Europa, na década de 90, aparece como um dos fatores mais importantes em relação à diminuição da qualidade da saúde (European Foundation for the Improvement of Living and Working Conditions, 1995/6). A tendência atual tende a ser estarmos expostos a mais e mais fatores de stress no nosso dia a dia, sem termos capacidade para compensar com momentos de relaxamento e libertação. Muitas vezes, acumulamos os problemas dentro de nós, aumentando os nossos níveis de ansiedade, piorando ainda mais este ciclo vicioso de tensão! Como tal, devemos ter como prioridade número 1 a redução do stress nas nossas vidas. Uma maneira muito simples de fazer isso é simplesmente falar. Pois é! Parece muito básico e óbvio, mas muitos de nós não vocalizamos os nossos problemas, nem os partilhamos com pessoas que nos possam ajudar, tais como amigos, família e terapeutas.

O que as pesquisas têm demonstrado é que o Esgotamento Profissional ocorre em trabalhadores altamente motivados, que reagem ao stress laboral, trabalhando ainda mais, até que entram em crise.

No entanto, é uma condição que cada vez mais áreas de profissão e personalidade atinge (daí muitos de nós nos identificarmos com este termo!).

Associação com transtornos psiquiátricos

  • Esgotamento Profissional e Depressão

Alguns autores acreditam que a depressão seguiria o Esgotamento Profissional, e que altos níveis de exigência psicológica, baixos níveis de liberdade de decisão, baixos níveis de apoio social no trabalho e stress devido a trabalho inadequado são preditores significantes para subsequente depressão.

  • Stress e Esgotamento Profissional

Contudo, a literatura tem-se preocupado em distinguir Stress de Esgotamento Profissional, uma vez que são conceitos diferentes. Pode dizer-se que o Stress resulta de um desequilíbrio nos recursos que a pessoa detém para fazer face a determinadas situações/exigências com qual a pessoa se confronta. No entanto, quando existe a sensação de que é possível controlar a situação, o mal-estar da pessoa tende a desaparecer (Neto, Areosa, & Arezes, 2014). Para além disso, quando há stress, o individuo vai tendo consciência do desequilíbrio que existe entre as exigências e os recursos que possui para enfrentar as situações, enquanto que no Burnout o mesmo não acontece, pois parece que os indivíduos apresentam uma grande dificuldade para enfrentar as situações stressantes e apresentam poucos recursos pessoais para o enfrentar (Bakker et al., 2014).

Consequências do Esgotamento Profissional

  • Para a instituição/organização:

A instituição tem um aumento nos gastos (tempo, dinheiro) com a consequente rotatividade de funcionários afectados pelo Esgotamento Profissional, assim como com o absentismo destes (Gil-Monte, 1997; Maslach e Leiter, 1997; Maslach et al., 2001; World Health Organization, 1998).

Segundo Maslach e Leiter (1997): “[…] os indivíduos que estão neste processo de desgaste estão sujeitos a largar o emprego, tanto psicológica quanto fisicamente. Eles investem menos tempo e energia no trabalho, fazendo somente o que é absolutamente necessário e faltam com mais frequência. Além de trabalharem menos, não trabalham tão bem. Trabalho de alta qualidade requer tempo e esforço, compromisso e criatividade, mas o indivíduo desgastado já não está disposto a oferecer isso espontaneamente. A queda na qualidade e na quantidade de trabalho produzido é o resultado profissional do desgaste”.

  • Para o indivíduo:

O indivíduo pode apresentar a nível de sintomas físicos: fadiga constante e progressiva; dores musculares; distúrbios do sono; cefaleias, enxaquecas; perturbações gastrointestinais; imunodeficiência com constipações ou gripes constantes, com alterações na pele (pruridos, alergias, queda de cabelo, aumento de cabelos brancos); transtornos cardiovasculares (hipertensão arterial, …); distúrbios do sistema respiratório; disfunções sexuais (diminuição do desejo sexual, ejaculação precoce ou impotência nos homens); alterações menstruais nas mulheres. (Araújo et al., 1998; Cherniss, 1980b; Dejours, 1992; Donatelle e Hawkins, 1989; Freudenberger, 1974; Goetzel et al., 1998; Lerman et al., 1999; Melamed et al., 1999; Nakamura et al., 1999; Pruessner et al., 1999; Silvany et al., 2000; World Health Organization, 1998).

Em relação ao psiquismo, pode apresentar: falta de concentração; alterações de memória (evocativa e de fixação); lentificação do pensamento; sentimento de solidão; impaciência; sentimento de impotência; labilidade emocional; baixa auto-estima; desânimo. Pode ocorrer o surgimento de agressividade, dificuldade para relaxar e aceitar mudanças; perda de iniciativa; consumo de substâncias (álcool, café, tabaco, tranquilizantes, substâncias ilícitas); comportamento de alto risco até suicídio (Araújo et al., 1998; Benevides-Pereira, 2001; Donatelle e Hawkins, 1989; Freudenberger, 1974; Goetzel et al., 1998; 2002; Murofuse et al., 2005; Silvany, 2000).

Se se identifica com as manifestações da síndrome de Esgotamento Profissional, pode modificar o seu estilo de vida, começando por fazer uma boa gestão do seu tempo. Inclua atividades fora do trabalho laboral, como passar tempo com amigos/família, prática de exercício físico ( ginásio, caminhada, corrida, …), incluindo assim momentos de distração e lazer, evitando que o foco da sua vida seja o trabalho e as dificultadas encontradas neste. Procure ajuda de um profissional (terapeuta, coach ,…) para ajudar a desenvolver aptidões pessoais que lhe permitam lidar com a situação e, se possível, modificar as condições de trabalho ou alterar o rumo da sua vida profissional. Para encarar esta fase, não como uma experiência negativa, mas como uma fase de crescimento pessoal.

Todos conseguimos melhorar a nossa qualidade de vida e reduzir os nossos níveis de stress, evitando um potencial Esgotamento Profissional (ou recuperar de um já existente). A grande questão é que temos que tornar a melhoria da nossa qualidade de vida a prioridade número um na nossa vida!

É verdade que o trabalho e a família são fatores de prioridade máxima na nossa vida, mas se não conseguimos dar-lhes a devida atenção, dedicação e afeto por estarmos sob grandes níveis de stress e tensão, apenas estaremos a perder o nosso tempo e a diminuir a qualidade das nossas relações, em qualquer contexto. Para estarmos bem com o ambiente que nos rodeia, temos que estar bem com nós mesmos!

Melhorem o vosso interior, melhorando assim a vossa vida. Contem com o Mind Coaching para vos guiar nesta etapa de Self Improvement e tornem-se na melhor versão de vocês mesmos!

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